Uma viagem à magia da biodiversidade em Portugal

É no Monte Redondo (Arco de Valdevez), no final de uma ruela íngreme e estreita, que encontramos o portal de passagem para o Brasil, México, Estados Unidos, Nepal, Índia, África do Sul, Suécia, Indonésia, Afeganistão, Rússia, China, Japão, Austrália, Coreia e outros tantos países… A Quinta do Barbeito tem 2 hectares de natureza com centenas de espécies das mais variadas partes do mundo cujos seus nomes científicos, características de plantação, colheita e técnicas de podas são conhecidos de cor pelo Guy.

 

Entrada da Quinta do Barbeito

 

Fugidos dos fogos que rodearam o distrito onde vivemos atualmente, e por estarmos decididos a aprofundar o nosso conhecimento e contacto com o conceito da Floresta Comestível (Food Forest), pedimos ao Guy que nos acolhesse na sua quinta por uns dias para viver de perto os conceitos que explora de Permacultura, Jardinagem Florestal, trabalho em cooperação com a natureza, Soluções multi-funcionais, Espécies subutilizadas, Sinergia, Compostagem e Vermicompostagem, Habitat diversificado, Cultura de fungos, Predação de pestes, “Não ao desperdício”, Policulturas, No dig , Formação de solo e Depressões, Bermas & Gabiões, em expansão para projetos de Assentamento de Paralelepípedos, Desidratador Solar, Rocket Mass Heater, Planeamento e preparação para construção com sacos de terra (Superadobe), Forno Solar, Aquecedor Cerâmico e Bio-char retort.

 

Banheiras com minhocas autóctones para vermicompostagem e, em frente, a compostagem coberta por lona verde

 

O mentor e executor deste projeto, Guy Miklos, era professor universitário de sistemas na Suécia e veio para Portugal com o seu pai há onze anos com a intenção de criar um Jardim Botânico aberto ao público e financiado pelo Estado.

Contudo, o seu sangue sueco não permitiu que esperasse o ritmo da burocracia portuguesa para que o projeto, já aprovado, fosse implementado, fazendo com que ele e o seu pai investissem o seu dinheiro pessoal na compra de um outro terreno (Quinta do Barbeito) e em tudo o que ali tem sido implementado.

No hall de entrada da casa estão afixadas as impressões com o Design de Permacultura detalhado da propriedade onde estão definidas as espécies de plantas, sistema de retenção de água e de irrigação por gravidade, acessos, caminhos e escadas da Quinta, assim como a divisão e análise de sectores e zonas e, como não podia faltar, a Flor da Permacultura com a Ética e os Princípios de Design!

Para se ter noção do nível de detalhe do desenho, o Guy estudou a largura das copas das árvores adultas para que não exista o risco dos frutos pesados caírem na cabeça das pessoas e para que não ficassem espalhados nos caminhos, garantindo a segurança daqueles que trabalham e passeiam na Quinta.

 

Desenho do Design de Permacultura da Quinta do Barbeito

“The house lies 300m above sea level on the north side of the Lima Valley. The quinta was acquired in two phases, first the lower terraces, followed two years later by those to be named Palace Thicket, Upper and lower Corridors, Food Forest and Dry garden. The lower terraces are restricted to scented or edible plants only. The upper terraces are for a wide assortment of perrenial food producing plants with supporting plant communities and fauna that will increase ecological robustness thus reducing pests and deseases. Our goal is to become self sufficient in food production without synthetic chemicals, and to create an informal garden of beauty that requires minimal maintanence.”

 

Desenho do Sistema de Irrigação e Desenho dos Acessos, Caminhos e Escadas da Quinta do Barbeito

 

Desenho da análise de Sectores e Zonas da Quinta do Barbeito

 

A famosa “Flor da Permacultura”

 

Como não podia deixar de ser, os conceitos da permacultura invadem também o interior da casa. Tudo é poupado, re-aproveitado e reutilizado, visando sempre fechar ciclos, sistemas e sub-sistemas.

Um dos muitos exemplos disso é o papel da embalagem da farinha de trigo que, posteriormente, é utilizado para secar o óleo de fritos cozinhados para, no final, servir como uma eficiente acendalha para o forno a lenha ou salamandra no Inverno. Simples e eficaz, assim como tudo em que Guy põe as mãos.

 

Folhas abertas da embalagem de trigo que servirão para secar o óleo dos fritos e, posteriormente, como acendalhas

 

Num dia bastante chuvoso, e de forma a podermos ter um contato aproximado com o Guy, tivemos a oportunidade de passar quase um dia a fazer pão num forno à lenha rudimentar, utilizando temperos de matérias biológicas disponíveis na quinta.

Fizemos quatro tipos de pão: com funcho, com bergamota, com alecrim e com louro! Com carinho e cuidado, os pães foram ao forno sobre folhas da maior bananeira existente no terreno (entre 6 a 7 metros de altura). Esta fornada será suficiente para o consumo na casa para um ou dois meses.

O processo é demorado mas o resultado valeu cada segundo do trabalho!

 

As folhas de bananeira são utilizadas como base para a massa do pão

 

Fornada de pão com 4 variedades de temperos: sementes de funcho, casca de bergamota, alecrim e folhas de louro

 

O resultado: à meia noite saboreamos um pão crocante por fora e macio por dentro!

 

Em total respeito com o ritmo natural das plantas e sem qualquer utilização de químicos, os projetos e planos do Guy têm entre 3 a 25 anos e sente-se bem a sua sintonia com o meio que o envolve.

Somente agora é possível ver plantas adultas como Paulownia tomentosa, originária da China Ocidental, e bananeiras de Sikkim (Nordeste da Índia) com cerca de sete metros de altura.

Um dos feitos mais interessantes que conseguimos enxergar nesta quinta foram três Macadâmias com cerca de seis anos completamente saudáveis e com vista a prosperar!

 

Paulownia tomentosa, originária da China Ocidental, com 9 anos. Árvore bombeira devido às suas folhas largas

 

Guy e suas bananeiras com aproximadamente 7 metros de altura

 

O Guy recebe voluntários pela plataforma digital WOOFF e WORKAWAY e proporciona uma experiência de imersão profunda numa incrível Food Forest com onze anos que possui, entre tantas outras, uma árvore adulta de Mulberry Chinesa (Crudania tricuspidata), também conhecida como Che, com uma fruta comestível nativa do Leste da Ásia de sabor doce com textura semelhante ao morango e um aspecto externo de mosaico na cor vermelha.

 

Colheita de crudania

 

Depois de presenciarmos o fogo a menos de 200 metros de nossa casa, de recebermos notícias de amigos e de projetos vizinhos sobre todos os eventos que destruíram, queimaram e acabaram por unir parte de Portugal neste Verão, e de termos um contato próximo com um terreno repleto de biodiversidade, tornou-se ainda mais evidente o quão importante é cuidarmos da nossa terra de forma a proteger a fauna, a flora, a água e os solos!

Como prova de que o eucalipto em si não é o culpado da devastação que temos observado com tristeza (mas sim a sua monocultura), o Guy decidiu plantar duas árvores “irmãs” do eucalipto, Corymbia Citriodora, na propriedade para colher as folhas e material orgânico para fazer fogo, sem representarem qualquer risco para as restantes espécies. Foi incrível a sensação de proteção numa redoma inviolável criada por este super Ser!!

Foram dias de muita aprendizagem, de resgate de sonhos, de questionarmos e de revermos as nossas atitudes, de nos consciencializarmos do desserviço que estamos a fazer à humanidade e para termos a certeza de que é possível sermos a mudança que queremos ver no mundo!

O Guy é a prova viva de que uma única pessoa é capaz de criar um imenso impacto positivo e está aqui ao nosso lado, no Norte de Portugal!

 

Guy alimentando o seu pet, Lucrécia, um louva-deus

 

Deixamos a Quinta do Barbeito com a missão de convencer o Guy a partilhar um pouco do vasto e inestimável conhecimento que possui. Fica atento pois teremos novidades em breve!

Muito obrigado Guy pela experiência que nos proporcionaste, pelo o teu contributo aqui na Terra e por seres fiel à tua Visão e aos Valores que escolheste viver nesta vida!

 

Momento de despedida. Até breve Guy e Lucrécia!

 

E a ti que estiveste a ler, esperamos-te muito bem e com força para seres, também, a mudança que queres ver no mundo!

 

Um abraço

Fernanda e João (Bhumi Portugal)

4 Responses

  1. Kuka Bragança

    Herdei uma quinta linda quase na serra arrábida e a vossa quinta vai servir-me de inspiração. Se fosse mais perto de setubal….estaria aí já amanhã. Abraços e obrigada

    • João Reis Wandschneider

      Olá Kuka Bragança, obrigado pelo o teu comentário!
      O nosso terreno será transformado com calma pois requer um planeamento “ao milímetro” de tudo o que ali vamos fazer.

      Quanto à Quinta do Barbeito, esta pertence ao Guy Miklos que é a pessoa que nos está a dar acessoria e suporte para a implementação da Food Forest no Bhumi e quem vai dar um curso sobre esta matéria em Dezembro de 2017 no norte de Portugal!

      Fica atento pois em breve sairão novidades deste curso 🙂

      Um abraço,

      João (Bhumi Portugal)

  2. Catarina Dias

    Amei 😍 vou participar nesse workshop. Quero ser a mudança que quero ver no mundo ☺😉 Bem hajam

    • João Reis Wandschneider

      Bem-vinda Catarina! Também estamos cheios de curiosidade para absorver esta Imersão em Food Forest, será a experiência mais profunda que teremos sobre esta matéria até então 😀
      Vemos-nos em breve, no meio da floresta!

      Um abraço e tudo de bom
      João (Bhumi Portugal)

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